PROF. TIM TAMBÉM ACONSELHA
ROBERTO A RENUNCIAR: “SERÁ O CAMINHO MENOS SOFRIDO DO POVO. TENHO CERTEZA DE
QUE PIOR NÃO FICA”
“Roberto de Jesus tornou-se
refém do seu próprio discurso”
“Nanuque está à beira do
colapso econômico e social”
Do alto dos seus 75 anos,
completados dia 1º de novembro, o economista João Gonçalves dos Santos, o
conhecido Prof. Tim, presidente de honra do partido Cidadania (ex-PPS), sempre
teve atuação decisiva nas eleições que se sucederam em Nanuque nos últimos 30 anos.
Se muitos líderes partidários
preferem o silêncio e a omissão diante de questões relacionadas ao dia a dia de
Nanuque, não é o caso de Tim. Está sempre presente às sessões da Câmara e
participa regularmente dos acontecimentos políticos e sociais da cidade. E foi
assim que ele concedeu mais uma entrevista à NEXUS ASSESSORIA, agora publicada
no blog JORNAL DE NANUQUE.
“Um mandatário
arrogante, prepotente e cada vez mais distante do efeito de seu verbo”
- Amigo professor Tim, ficamos
sabendo que, no início do atual governo, o prefeito Roberto de Jesus chegou a lhe
procurar várias vezes para buscar aconselhamento e orientação. Como sempre
acontece, o senhor foi gentil, cortês e prestativo. Agora, ao término do
terceiro ano de mandato, a gente vê um governo esfrangalhado, perdido. O que
pode ter acontecido, na sua opinião?
PROF. TIM - Na verdade, poucas
foram as vezes em que conversamos e, quando isso aconteceu, recebi a sua visita
e ele repetiu o mesmo discurso do início de campanha, pedindo apoio. Falei que
consultaria o partido e, no meu regresso, reuniríamos. Ficamos no aguardo do
seu chamamento, mas não houve manifestação de interesse.
A expectativa causada por sua linha
verbal de seus discursos de campanha ultrapassou a realidade das demandas
propostas, pois todos que participaram na eleição passada sabiam da grave crise
financeira do Município, e como ele vivenciou situações atípicas nas gestões
anteriores, foi considerado o ‘santo milagreiro’, tipo São Roberto/São Barreto.
Daí que a importação de mão de obra qualificada de outros municípios e até
estado vizinho causou um rombo, a ponto de criar obstáculos para efetuar os
pagamentos dos servidores e fornecedores.
A falta de habilidade política
para enfrentar as adversidades ideológicas, das equipes, distanciamento do
poder paralelo legislativo fizeram de Roberto refém do seu próprio discurso, transformando-o
em um mandatário arrogante, prepotente e cada vez mais distante do efeito de
seu verbo.
Qualquer outro no seu lugar
procuraria no primeiro momento fortalecer com o Legislativo, para a própria
agilização e harmonia dos poderes, como está na Constituição. Acreditar em
discurso com uma economia fragilizada e um Município com um IDH igual ao nosso
é um péssimo sinal de conhecimento de gestão pública. Não se pode mexer no
bolso da comunidade, faltou o combustível que move o mercado. Nanuque está à
beira do colapso econômico e social.
Esqueci de frisar que a
expectativa de seu sucesso atingiu até os seus adversários, pois, assim como
toda a comunidade, esperávamos uma solução para quase todos os setores em médio
prazo e, na medida em que não aconteceu, as pessoas começaram a se desiludir.
O Executivo não pode ter
ciúmes do Poder Legislativo, deve ser um casamento para a cidade.
Roberto distanciou demais dos
setores produtivos, ficou na expectativa de emendas parlamentares, e sabemos
que emendas não realizam projetos, são apenas emendas, que são pedaços e mais
pedaços. Um gestor deve ser articulado com projetos propostos diretamente aos
ministérios e usar a força política do Poder Legislativo para ajudar na sua
execução. O Executivo não pode ter ciúmes do Poder Legislativo, deve ser um
casamento para a cidade.
Um grande pecado: Orçamento
incompatível com a realidade, houve fala do próprio gestor que estava gastando
mais de 30% na saúde. Não se consegue equilibrar as contas com folha de
pagamento a 57% ou mais e saúde 30%, qualquer leigo sabe que é suicídio
financeiro.
- Coincidentemente, dois
vereadores que já passaram pelo seu partido Cidadania, ex-PPS, o Aranha, atual
vereador, e o Rivaldo, ex-vereador e ex-presidente da Câmara, já recomendaram
publicamente a renúncia do prefeito Roberto. Você também o aconselharia a
renunciar?
torna-se desumano permanecer
no comando da máquina pública
PROF. TIM - Meu caro camarada
e guru Ademir Jr., verificando a situação atual em que se encontra a cidade, e
tendo a maior fonte pagadora dos bens de serviços, o setor público municipal,
segundo comentários com três anos de 13º salário a pagar e quatro folhas de
pagamento mensais, outros débitos e com recursos bloqueados, sem nenhuma
expectativa de receita futura extra, eu, sinceramente, pelo que virá no futuro
no acúmulo de problemas, torna-se desumano permanecer no comando da máquina
pública.
O prefeito, com sua formação
acadêmica, sabe que se cochilar vai cair, e a comunidade está também sofrendo,
o que fortalece o contraditório dos poderes Judiciário e Legislativo. São
cidadãos que sentem também. Pensando no bem-estar social do nosso povo, acho
que a renúncia será o caminho menos sofrido do povo. Tenho certeza que pior não
fica, porque com um novo governo instalado o custo da gestão reduz, por menor
que seja o conhecimento de gestão do gestor. Tenho certeza que a carga de
compromissos vai se reduzir, sobrando dinheiro para pagar servidores,
fornecedores e cuidar da cidade.
- Como analisa o futuro
político de Roberto de Jesus?
PROF TIM - Na politica,
ninguém pode prever com certeza as possibilidades de sucesso com medidas ou
métodos, mas, no caso específico de Roberto, ele massacrou uma classe de seus
trabalhadores para resolver um setor (Saúde), não logrando êxito, com um
passado já tachado de perseguidor, isso o coloca no topo da curva de curtos
como indesejável. A curva de curtos é usada para demonstrar o nível de
significância de um elemento observado: uma gestão, a venda de um produto,
consumo etc. Quero dizer que Roberto está colocado no topo da curva de curtos, na
região crítica, como indesejável.
Como política é muito
flexível, ainda sobra lá na zona de rejeição da curva na direita e esquerda o
índice de 0,5, que é o erro de significância. Falei com Ramon logo depois das
apurações, ele decepcionado com o resultado eleitoral de 2016. Falei com ele:
"Fica tranquilo, não dou dois anos para esse povo ter saudades de você.”
4. Em sua campanha de 2016,
Roberto procurou potenciais candidatos a vereador de eleiçoes anteriores, gente
com média acima de 100 ou 150 votos, e a estratégia deu certo, afinal ele
ganhou a eleição. Você acha que essas pequenas lideranças comunitárias ainda
estão com ele? Confiam nele?
PROF. TIM - Como reunir
apoiadores, se em suas propostas nada foi efetivado? Roberto foi vítima do
excesso de “eu”: eu faço, eu decido, eu resolvo. Essa atitude o isolou naquela
maldita cadeira. Uma pena, pois até eu estava no grupo dos espectadores de uma
gestão dos sonhos: solidária, ética, transparente e com índice de diversidade altíssimo,
pois sua origem de pessoa humilde para mim caracterizava um modelo exemplar.
E agora, como formar grupo? A
máquina com cofre vazio, sem crédito junto ao mercado, quem investe num projeto
de falência absoluta?
A própria reforma partidária
propõe aos partidos uma reunião de candidatos com possibilidade de sucesso, o
que torna difícil, para o político com um índice de rejeição alta, juntar
aliados e serem recebidos com aplauso pelo seus ex-eleitores. Acho difícil o seu futuro, pois precisará de
representantes na sua bancada, para defender e aprovar as contas, etapa difícil
do gestor. Saída triste e melancólica...
- Para concluir, uma mensagem ao
prefeito.
PROF. TIM - Uma coisa que não
levo jeito é conselho! Fui consultor econômico e professor da Fundação Persival
Faquar, quando um gestor me falou: "Você não serve para conselho, pois não
aceita fracasso". Mas, nesse caso de Roberto de Jesus, eu tenho que deixar
que o coração fale mais alto. Lembrar da sua caminhada como estudante de
primeiro, segundo e terceiro graus, sempre ao seu lado na sua defesa e na
expectativa de um dia vê-lo no mais alto nível de nossa comunidade. Ao meu caro
amigo, irmão camarada prefeito Roberto de Jesus, desejo um Natal cheio de
bênçãos e um Ano Novo repleto de grandes decisões. Às vezes, o coração rasgado pela dor vira retalho. Recomenda-se,
nestes casos, costurá-lo com uma linha chamada recomeço. É o suficiente.
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